Petróleo mais barato e gasolina mais cara

As maiores empresas da América Latina investiram pesado na busca de novas reservas na época de preços do petróleo elevados. Nesse contexto estatais como a Petrobras contraíram empréstimos para financiar esses investimentos. Agora, as prestações chegam no mesmo momento que o petróleo vale uma fração em relação ao preço de outrora. Nesse momento, intervenção do governo, reestruturação e concordata são medidas que não parecem muito longe da realidade.

Na América Latina existem três grandes petrolíferas estatais: a brasileira Petrobras, a venezuelana PdV e a mexicana Pemex, as prestações que vencem apenas nos próximos dois anos das três estatais juntas estão na ordem de U$45 bilhões. E, com os preços do barril de petróleo na faixa dos U$30, – ou ainda mais baratos, como o caso da Venezuela – essa dívida vai reduzir muito os fundos disponíveis para investimento.

O Brasil

A presidente Dilma Rousseff – ainda em 2015 – já alertava que o país não teria condições financeiras de assumir os empréstimos da Petrobras se os preços do petróleo não voltassem a subir. Os executivos da estatal avisaram que, no limite, nos próximos dois anos vão cortar todos investimentos e focar exclusivamente na saúde financeira da estatal.

Esses cortes vão ajudar. Mas o pagamento das prestações vai depender do plano de abertura de capital, que já esta a caminho, além do leilão das camadas do pré-sal. Naturalmente, um aumento nos preços dos combustíveis fará parte do pacote.

O México

A Pemex provavelmente vai precisar da ajuda do governo. Isso ocorrerá porque a estatal mexicana perderá muito valor devido ao atraso em parte dos pagamentos nos próximos dois anos. As perdas no último quadrimestre foram de U$10 bilhões e o Ministro da Fazenda mexicano, Luis Videgaray, anunciou que vai injetar capital na estatal se a empresa conseguir cortar custos e levar investidores externos.

A promessa do governo ajudou a restaurar a confiança dos investidores para o lote de ações vendido em Janeiro. A Pemex planeja outra injeção financeira esse ano, mas se o preço do petróleo não aumentar vai dificultar o processo.

A Venezuela

O pior cenário é o da venezuelana PdV. O tipo de petróleo que a estatal produz, mais pesado, é mais barato, o preço está na faixa de U$20 o barril. O custo operacional de extração do petróleo é mais caro que o preço de venda do produto e o governo é altamente dependente do petróleo para pagar suas contas. A concordata da PdV, e até da própria Venezuela, é provável ainda em 2016. Se a PdV entrar em concordata não terá qualquer forma de acesso a crédito, consequentemente seus planos de investimento serão paralisados por tempo indeterminado.

Importante ressaltar que Petrobras, PdV e Pemex são estratégicas no plano energético de seus respectivos governos. Logo, a concordata dessas empresas em qualquer cenário econômico e político seria desastroso para o curto e médio prazo de qualquer um dos países envolvidos. A solução mais óbvia para as três companhias é o preço do petróleo aumentar, mas aumentar a eficiência produtiva bem como melhorias gerenciais são igualmente importantes.

Mas nem tudo são lagrimas. Essa crise certamente trará seus dividendos a longo prazo porque essas estatais são geridas por governos reconhecidamente corruptos e geraram muitos dividendos políticos e financeiros oriundos da corrupção durante os governos Lula, no Brasil, Chaves, na Venezuela, e Calderón, no México. Portanto, o preço baixo do petróleo dói no bolso hoje, mas trará seus alívios no futuro.

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