Michel Temer e seu plano de ascensão ao poder

Como todos sabem, o congresso brasileiro deu inicio ao processo de impeachment. O plenário da Câmara dos Deputados deu autorização para o Senado analisar o processo de impeachment da presidente Dilma. Mas o que me chama a atenção é o planejamento estratégico do vice-presidente da República para chegar permanentemente a Presidência da República.

Qualquer observador minimamente imparcial poderia constatar, no fim de 2013, o tamanho dos problemas econômicos que se aproximavam. O governo gastava muito mais do que podia e gastava mal, sempre deixando de lado obras de infra estrutura, tão necessárias, para dar lugar a construção estádios “padrão FIFA” em locais que claramente não havia demanda. Além de, claro, ser ano eleitoral. 2014 portanto, era ano de festa e, nesse caso, quanto mais rica a festa, melhor.

Temer lia os cenários e já conjecturava as cenas dos próximos capítulos. Mesmo que não queiram admitir em público, Dilma Rousseff e Michel Temer sabiam que as promessas de campanha da presidente eram inviáveis. Com a operação lava jato no quintal – afinal, no mínimo, a refinaria de Pasadena já era notícia – e os problemas econômicos mencionados já na esquina, Temer certamente já vislumbrava o cenário atual.

O primeiro passo foi dado ao eleger Eduardo Cunha para a presidência do Congresso. Com Cunha eleito, o impeachment virou uma questão de deixar a operação lava jato evoluir, além de deixar Dilma fazer o que sabia fazer de melhor: tomar decisões erradas na hora errada. Como todo bom estrategista, na hora certa Temer ofereceu a quantidade certa de poder e/ou dinheiro para os deputados certos. Portanto, o impeachment muito provavelmente é mais uma questão de “quando” que de “se” ocorrerá.

Do outro lado, claro que Lula não iria meramente observar Temer tirar-lhe o poder e foi a luta. Saiu da linha “lulinha paz e amor” para “jararaca esta viva” e voltou ao “paz e amor” em apenas uma semana, quando teve o mandado para sua condução coercitiva expedido, também falou em golpe e colocou a militância para gritar nas redes sociais. Se de um lado tem o nada desprezível veneno da jararaca, do outro lado tem Michel Temer que se mostra uma verdadeira cascavel.

Um advogado constitucionalista com o poder que Michel Temer tem certamente não precisa de golpe e, a pesar das reclamações petistas, há provas e os ritos constitucionais foram respeitados. O problema é que o atual vice-presidente vai precisar de mais do que sorte e competência jurídica para se livrar das acusações que pesam sobre si. Afinal, sua influência política e tempo no poder praticamente obrigam a acreditar que pega-lo é uma questão de saber procurar.

Com Temer na Presidência temos a certeza que pelo menos o fisiologismo continua como esta. O que resta é a esperança que a operação lava jato ganhou contornos irreversíveis, o tempo dirá se os dois maiores triunfos dos corruptos – morosidade do judiciário e colher provas suficiente – continuarão a sustentar no governo Temer.

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